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O mito do
"Ponto G"
Não
existe fórmula matemática para obter prazer sexual. A + B nunca
será = a orgasmo. Mesmo assim, algumas pessoas buscam saídas
mágicas para se satisfazerem. Daí surgem pontos como G, U, Y ou
S... um verdadeiro alfabeto para a hora H do dia D.
Denominar como chave do prazer apenas um local do corpo é
restringir tudo o que ele proporciona, afinal são 841 pontos
erógenos dos pés a cabeça que, quando usados com criatividade,
podem levar a pessoa aos céus. "Não dá para definir um ponto
como sendo o centro do prazer sexual da mulher", afirma o
ginecologista dr. José Júlio Tedesco. "Além disso, a intensidade
do orgasmo vai depender de vários fatores, principalmente o
psicológico".
Segundo a psicóloga e terapeuta sexual Carla Zeglio, as regiões
de maior sensibilidade vão variar de pessoa para pessoa. "O
prazer de algumas mulheres está no calcanhar ou na orelha. Isso
é confirmado nas pacientes tetraplégicas que atingem o orgasmo
sem estimular a genitália". Além disso, "o ponto G não pode ser
considerado de extrema sensibilidade por não possui grande
quantidade de nervos sensoriais". As áreas de maior prazer são
geralmente o clitóris, os pequenos lábios, a cavidade vaginal e
o orifício da uretra, que se entumecem de sangue no início da
relação sexual, ficando eretos como o membro masculino. "Algumas
mulheres afirmam que o ponto G é realmente a fonte do prazer
sexual. Mas 90% das minhas pacientes atingiram o orgasmo depois
de observar o corpo e não depois de terem encontrado o ponto G",
diz Carla.
Mas afinal, onde fica o tal ponto? É pele rugosa localizada na
parede frontal da vagina, próximo a região do púbis. "Realmente
nessa região há uma saliência. Porém, a eficácia dessa área no
estímulo sexual não foi comprovada cientificamente", afirma o
ginecologista José Júlio. Quem primeiro descreveu o local foi um
médico ginecologista chamado Grafenberg, daí o nome. No entanto,
nos livros de anatomia humana não há referência nenhuma ao
ponto.
Para Carla, o mito em torno do Pondo G deve-se ao modo de pensar
da sociedade ocidental. "O homem genitaliza o sexo. Tudo tem que
estar concentrado nessa área, o que é um equívoco".
Mesmo assim, é recomendável tentar localizar o seu ponto G uma
vez que a pessoa passa a conhecer melhor seu corpo. "Achei meu
ponto G durante a relação sexual. É uma região muito mais
sensível e fica dentro da vagina. A posição que melhor estimula
essa área, pois não chamaria de ponto, é a de costas com o
parceiro por cima. Sinto um enorme prazer que me ajuda a atingir
o orgasmo", diz a estudante de artes plásticas I.L., 22 anos.
Apesar do ponto G ser um só, localizado numa específica região
em todas as mulheres, ele pode variar um pouco de posição
dependendo da mulher. "Achar o ponto G é o primeiro passo, porém
muito mais importante do que isso são as preliminares, porta de
entrada para o orgasmo", afirma Carla.
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