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Aborto: triste momento inesquecível

É fato que a vida sexual dos adolescentes está começando cada vez mais cedo. Só que muitas vezes o tesão chega sozinho na hora da transa — a responsabilidade e a camisinha ficam de fora — e a gravidez acontece. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde mostra que 45,9% das jovens sexualmente ativas não usam nenhum método contraceptivo. Ou seja, quase metade das meninas entrevistadas tem grandes chances de engravidar.

O aborto (interrupção da gravidez) passa a ser a solução para quem não tem o apoio dos pais ou não quer (ou pode) encarar a responsabilidade de gerar um filho. No Brasil, o aborto só é permitido quando põe em risco a vida da mulher ou se a gravidez é conseqüência de um estupro. Quem praticar o aborto em outras situações está sujeita a uma pena de até 10 anos de prisão. Isso não impede que o aborto aconteça em clínicas clandestinas e sem condições de higiene, onde a menina corre o risco de ficar estério(há casos de perfuração no útero) ou até de perder a vida.

E não é só a integridade física que está em jogo. As mulheres que sofrem o aborto, em sua maioria, carregam os traumas para o resto da vida. “O aborto é a solução para uma situação insustentável. A mulher pode até sentir alívio por ter acabado com um problema, mas esquece da nossa educação rígida e da culpa. Optar por uma opção como o aborto exige auto-conhecimento”, comenta a psicóloga Vera.

A estudante Thaís, de 22 anos, passou por essa experiência inesquecível e traumática. Ela namorou um único cara durante seis anos, terminou, não resistiu e passou uma noite com o rapaz. Na emoção de transar de novo com o amor de sua vida, Thais não usou camisinha e engravidou. Como estava completamente sozinha, não viu outra opção que não fosse o aborto. “Eu sabia que não teria o apoio dele nem dos meus pais. Não podia ter a criança e sofri muito. Tenho freqüentes pesadelos e a lembrança do aborto nunca sai da minha cabeça. E nunca penso nisso sem sentir uma profunda tristeza”.

Muita gente leva em conta a religião na hora de tomar a decisão de interromper a gravidez e em como a mulher irá lidar com isso depois. Cada uma pensa e condena de uma forma*

É importante é transformar a informação em conhecimento e tomar consciência que a gravidez pode acontecer sim e evitar passar por um trauma tão grande como o aborto. A camisinha é o melhor jeito de transar sem preocupações e más notícias.

*
Catolicismo: A Igreja Católica considera um “crime contra a natureza” tanto a interrupção da gravidez quanto o uso de anticoncepcionais. Para o catolicismo, a vida começa no momento da concepção e o feto tem o mesmo direito à vida que a mulher, que é proibida de abortar mesmo que corra risco de vida.
Igreja Protestante: (batista, luterana, presbiteriana, unitária e metodista) : Mais flexível que o Catolicismo, a doutrina Protestante leva em consideração a interrupção da gravidez quando a mãe corre risco de vida.
Islamismo: Para as religiões islâmicas o aborto só não seria considerado assassinato se acontecesse antes dos primeiros 120 dias de gestação, quando o feto ainda não é considerado um ser humano.
Judaísmo: Para os judeus, o feto só é considerado humano depois do nascimento e é levada em consideração a saúde física e psíquica da mulher.
Espiritismo: A religião espírita leva em conta não a morte de um ser, mas sim a frustração de um espírito que tem o corpo abortado e acreditam que esta alma causará problemas futuros para os responsáveis pelo aborto se as causas forem injustificáveis.
Candomblé: Não há restrições em relação à vida sexual. No Rio de Janeiro, o aborto é permitido por sacerdotisas e sacerdotes desde que a concepção não tenha ocorrido no período de recolhimento religioso.
Budismo, Hinduismo e o Hare Krishma: Encaram a criação da vida no momento da concepção sêmen-óvulo. O homem é quem tem o direito de decidir sobre a continuidade ou não da gestação.

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