
Medo e dor. Essas são as primeiras palavras que vêm à cabeça quando se pensa
em câncer, uma doença devastadora, que faz sofrer não apenas a pessoa doente, mas também os familiares e os amigos. E, entre as mulheres, o câncer de mama é o mais temido. Os números são alarmantes. Dados indicam que 400 mil novos casos de câncer surgem a cada ano no Brasil, sendo que um terço deles com óbitos. A doença é a segunda que mais mata no País e sua incidência e mortalidade têm crescido em virtude do aumento da expectativa de vida e de fatores como poluição, hábitos alimentares inadequados,
sedentarismo, tabagismo, entre muitos outros.
Como tudo o que é desconhecido causa ainda mais medo e receio, nada melhor que conhecer o câncer de mama a fundo para saber como lidar com ele e, principalmente,
evitá-lo. Afinal, muitos casos são curáveis, principalmente se diagnosticados em seu
estágio inicial.
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, a iniciação do câncer de mama é de origem genética.
Isso não significa que seja uma doença exclusivamente passada através das gerações, aliás, apenas entre 5% e 10% dos casos são ocasionados por herança genética. A
doença, na verdade, é desencadeada por uma lesão, que pode ser herdada ou adquirida, no DNA cromossômico, fazendo com que a multiplicação celular ocorra de maneira desordenada.
Se o acúmulo dessas células tumorais (neoplasias malignas) não conseguir infiltrar a camada que dá sustentação ao tecido dos ductos mamários, a chamada “membrana
basal”, o tumor é considerado não-invasor. Do contrário, ele é invasor
e, neste caso, passa a existir a chance de que pequenos vasos sangüíneos e capilares linfáticos sejam atingidos, levando as células anormais a outros órgãos, como
pulmões e fígado, ou até mesmo aos ossos. O trânsito dessas células para estas regiões recebe o nome de metástase.
Prevenção nunca é demais
Nunca é demais repetir que a melhor forma de se prevenir do câncer de mama é se submeter periodicamente a exames clínicos e à mamografia, além de realizar o autoexame
em casa mesmo, depois do banho ou antes de dormir.
O exame clínico, feito por um médico ou enfermeira treinados, pode identificar um tumor de até 1 cm de diâmetro, em 57% a 83% de mulheres com idade entre 50 e 59 anos, e em torno de 71% nas que têm entre 40 e 49 anos.
O Inca não estimula o auto-exame como estratégia isolada na detecção do câncer de mama. Ele é importante, mas deve ser apenas complementar, realizado entre uma e outra consulta ao ginecologista.
A orientação atual, que deve ser seguida em condições ideais de recursos para a assistência à saúde, é a mamografia anual a partir dos 40 anos de idade, tendo
sido feito um exame basal prévio aos 35 anos.
Na fase pré-clínica de neoplasia, de tumores detectados pela mamografia, as taxas de cura são de quase 100%, e essa deve ser a motivação maior para estimular as mulheres
a fazerem uma mamografia de rotina. Outras medidas mais simples, que podem e devem ser adotadas no dia-a-dia, também são importantes, como evitar a obesidade,
o sedentarismo, os alimentos gordurosos e a ingestão alcoólica em excesso.