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A alternativa do trabalho em casa
Até
o início desta década, ainda havia algum
preconceito sobre as pessoas que trabalhavam em
casa. A impressão era de que o trabalho não era
profissional. Ou então só serviria para
autônomos sem maiores perspectivas de
crescimento como vendedores, agentes de
publicidade, advogados iniciantes etc.
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Esse
conceito vem mudando vertiginosamente. Nos
Estados Unidos, segundo dados da revista, Exame
de 28/08/96, 21 milhões de pessoas fazem seus
negócios a partir de suas casas. Nós, os
brasileiros, ainda que em proporção bem menor,
estamos descobrindo as maravilhas de se evitar o
caótico trânsito das grandes cidades e de
almoçar com nossos familiares freqüentemente.
As empresas sabem da necessidade de manter os
custos fixos o mais baixo possível e, segundo a
mesma revista, essas empresas descobriram que o
gasto médio para se manter um executivo dentro
da companhia é de US$ 20.000,00 por ano,
enquanto o mesmo profissional, trabalhando em
sua própria casa, custa US$ 14.000,00. Razão
pela qual ganha força extraordinária a noção de
escritório virtual, que nada mais é do que
trabalhar em casa plugado nas telecomunicações.
Por isso está desaparecendo a discriminação
contra quem desenvolve suas atividades
profissionais no lar. Há vantagens para os dois
lados. Para o consultor iniciante, então, é a
grande salvação. As facilidades proporcionadas
hoje pela tecnologia da microinformática fazem
com que uma "estação de trabalho" possa estar
localizada em apenas três metros quadrados.
Há cerca de 20 anos, era vergonhoso exibir um
cartão de visitas cujo telefone comercial era o
mesmo do residencial. Hoje isso é sinal de
inteligência. Empresários e executivos de renome
têm hoje seus home offices.
Assim sendo, comece a pensar em trabalhar em sua
própria casa. Apenas siga com bastante acuidade
as recomendações a seguir:
1. Estabeleça um espaço: é muito importante que
você delimite um espaço reservado para o
desenvolvimento do seu trabalho profissional. Se
preciso, forre as paredes e a porta com material
anti-ruído. Isso para que não interfira no
ambiente o barulho que faz lembrar a residência
de uma família, como por exemplo e da máquina de
lavar roupa, da secadora, da panela de pressão
etc. Condicione-se a, nesse local, só pensar no
trabalho.
2. Defina um horário: o maior problema relativo
ao home office é o que envolve a disciplina.
Trabalhando em casa, são muitas as tentações a
nos ameaçarem a produtividade. É aquela vontade
de beijar os filhos que chegam da escola, as
guloseimas na geladeira, o filme da seção da
tarde...
Nada disso deve interferir na sua concentração.
É preciso criar um horário como se estivéssemos
no escritório de uma multinacional. O outro lado
da moeda é nos transformarmos em workaholics
incorrigíveis, apenas porque todo o material de
que necessitamos para trabalhar está ali ao
nosso alcance.
A disciplina engloba tanto o cuidado com a
descontração que o lar pode trazer como com o
perigo do estresse pelo excesso de preocupação
com o trabalho. Quase todos os executivos que
possuem home office afirmam ser a questão da
disciplina a mais complicada. E acostumar-se à
rigidez de um horário pode ajudar. Pense bem:
você já estará livre do trânsito, em contato
permanente com a família (que quase não o via
nos tempos de executivo) e liberto também dos
sanduíches ou dias sem almoço.
3. Discipline a família: estando ali perto, seus
familiares muito provavelmente vão achar que
você efetivamente "está em casa". Só que você
"não está". No começo será difícil para eles
entenderem. Dentro do seu espaço profissional e
de seu horário de trabalho no home office, sua
esposa/ marido, seus filhos, os demais parentes,
terão de fazer de conta que você não está em
casa. Comunique a eles sua nova rotina e o que
espera deles daí em diante.
3.1 Comunicação interna: desenvolva um esquema
de comunicação com a família através de um
interfone. Este só poderá ser usado por motivos
de trabalho ou problemas de urgência. Estabeleça
com seus familiares quais são as prioridades.
3.2 Ajuda do cônjuge: se considerar necessário e
houver aquiescência, peça ao seu cônjuge para
ajudar na alavancagem do seu home office.
Combine com ele ou ela quais os tópicos em que
poderá ser bastante útil. Muitos começaram assim
e se tornaram sócios, desdobrando-se em
atividades de colaboração mútua. Apenas aprenda
em conjunto a fazer uma clara separação entre a
atividade profissional e o relacionamento
afetivo.
3.3 O telefone: é muito importante que você
adquira ou alugue uma linha telefônica dedicada
ao seu escritório. Muitos fazem apenas uma
extensão do telefone da família e surgem
problemas de toda ordem. Principalmente para
aqueles que têm filhos pequenos, é quase
impossível conseguir que não atendam às
ligações.
Depois de todo o empenho de marketing e de
vendas, o momento mais emocionante do trabalho é
quando toca o telefone. A cada sinal da
campainha, uma esperança de um novo cliente. Se
uma criança atender à ligação, pode ficar no
interessado a impressão de desleixo, de descuido
no encaminhamento do negócio. Por isso, o
telefone merece zelo especial.
Mantenha uma secretária eletrônica no seu
aparelho. Além disso, peça ao cônjuge para fazer
o atendimento durante sua ausência. Deixe o
bloco de recados e todas as orientações antes de
sair. Nenhum negócio deverá ser perdido porque
houve descuido com o atendimento do telefone.
Nomes errados, números de telefones equivocados,
endereços mal-anotados, tudo isso pode acarretar
na perda de faturamento.
4. Evite o isolamento: dificilmente os clientes
irão visitá-lo, a menos que você trabalhe com
atendimento à pessoa física. Assim, o único
perigo é você trabalhar durante muito tempo sem
contato com pessoas e empresas. É preciso que
não percamos esse intercâmbio. O programa
semanal de visitas a clientes em perspectivas é
uma boa solução para evitar esse isolamento. |
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