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Levante a mão quem não quer perder uns quilinhos. Quase
todo mundo está insatisfeito com o corpo. No mundo todo, cerca
de 1 bilhão de pessoas estão acima do peso ideal. Desse total,
280 milhões pesam 30% a mais do que deveriam. São dados da Força-Tarefa
Internacional contra a Obesidade. No Brasil, 40% estão acima do
peso. No começo do mês, pesquisadores do Centro para Controle
e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos divulgaram estudo
sobre as loucuras que os adolescentes são capazes de fazer para
emagrecer: um terço das meninas e um quinto dos rapazes apelam
para o jejum, remédios e laxantes. Entre as meninas, 40% usam o
cigarro como aliado na briga contra a gordura. Pior ainda é a
situação dos gordos crônicos. Porque, entre os que pesam só
alguns quilos além do ideal, o risco de diabete é seis vezes
maior. Entre os obesos mesmo, o risco de diabete é 90 vezes
maior. O 9O Congresso Internacional sobre Obesidade está começando
neste sábado, 24 de agosto, em São Paulo. Para antecipar as
novidades, estiveram aqui conosco o endocrinologista Alfredo
Halpern. E para falar da experiência própria, a coordenadora
da Junta dos Comedores Compulsivos. Como é norma nos grupos anônimos,
ela se identifica como I.T.L.A. e não aparece no vídeo.
Quando a obesidade é uma herança
Uma pergunta que vale milhões de dólares. Quais são as causas
da obesidade? Em entrevista ao Jornal da Lílian, o
endocrinologista Alfredo Halpern antecipou as últimas notícias
sobre o assunto e revelou alguns destaques do 9O Congresso
Internacional de Obesidade, que acontece em São Paulo, entre os
dias 24 e 29 de agosto. “O problema da obesidade ainda não
está resolvido. É uma doença que vem crescendo de maneira
epidêmica e mata cada vez mais. É impressionante. O problema
é que ainda não se sabe porque as pessoas ficam cada vez mais
obesas”, afirmou. Segundo o endocrinologista da USP, os médicos
já sabem que a genética desempenha um importante papel. Mais
de 30 genes estariam relacionados com a obesidade. Isso sem
falar nos genes da ansiedade e da compulsão, que correm em
paralelo.
Quando o metabolismo mais lento é o vilão
Halpern disse que as doenças glandulares representam apenas 5%
dos casos de obesidade no mundo. Segundo ele, um dos maiores
problemas é a queima de calorias. “É um processo muito
complicado. Envolve uma série de reações químicas”,
explicou. O fato é que há pessoas que queimam menos calorias
do que outras. A explicação está nos diferentes níveis metabólicos.
“Quem queima menos calorias vai ter uma tendência maior a
engordar”. A boa notícia é que, hoje, há remédios que
aceleram o metabolismo, ou seja, ajudam o corpo a queimar
calorias. Um desses medicamentos – que é capaz de reduzir o
apetite e acelerar o metabolismo - é a famosa Sibutramina. É
bom lembrar que, como todo remédio só deve ser usado sob
recomendação médica. Já os famosos remédios de academia
devem ser evitados. “É tudo bobagem e podem fazer mal”,
criticou Halpern. E os hormônios de tireóide – também na
lista dos preferidos das dietas desreguladas – só devem ser
tomados por quem sofre de hipotiroidismo. Os efeitos colaterais
são: taquicardia, arritmia, nervosismo, tremedeira, pouca absorção
de cálcio, além do risco de se deixar a tireóide preguiçosa
para o resto da vida.
Quando a obesidade surge de uma compulsão
Além da carga genética e das diferentes velocidades metabólicas,
há também uma série de fatores químicos que podem estimular
a obesidade. A compulsão alimentar é uma delas e atinge 30%
das pessoas que estão acima do peso. “Compulsão tem
tratamento e é uma das causas da obesidade. É um sofrimento
muito grande. A pessoa ganha peso e se sente culpada”, disse
Halpern. Segundo o endocrinologista, há centros do sistema
nervoso central, onde se localizam as sensações de prazer. O
sistema sente os efeitos das drogas, do álcool, dos remédios,
das comidas e até do chocolate. Tudo é mediado por uma substância
chamada dopamina - aquela que falta nos pacientes que sofrem de
mal de Parkinson. A serotonina - ou o neurotransmissor que
regula o humor – também sofre variações em quem é
compulsivo. É, justamente, a queda nos níveis de serotonina
que traz a vontade quase incontrolável de comer doces e
chocolates. Alguns remédios como a Sibutramina podem restaurar
os níveis do neurotransmissor e amenizar os sinais da compulsão.
”Comida era uma recompensa. A única coisa que me
fazia feliz”
A compulsão quase estragou a vida afetiva de I.T.L.A. – que
pediu para não se identificar. “A comida era uma recompensa.
A única coisa que me fazia feliz”. Ela comia duas ou três
sobremesas diferentes, jantava duas vezes e fazia dois lanches
entre o almoço e o jantar. Mesmo chegando a pesar mais de 100
quilos, ela não se enxergava como uma pessoa gorda. “Eu me
justificava dizendo que estava casada, que tinha ossos grandes,
que tinha três filhos e que era de família italiana”. Quando
tomou consciência que precisava emagrecer decidiu procurar um médico
e tomar remédios. No dia da festa de aniversário, misturou
anoréxicos, calmantes e bebida alcoólica. O estrago estava
feito. “Fiquei tão louca que decidi lavar o telhado. Minha
família teve que me colocar debaixo do chuveiro gelado. Quando
acordei, decidi jogar todos os remédios fora”, conta.
”Costumo dizer que sou uma alcoólatra seca”
Há 12 anos, I.T.L.A. decidiu participar de uma reunião do
grupo Comedores Compulsivos Anônimos (CCA). A idéia dela era
levar a irmã mais nova e solteira que também estava acima do
peso. “No final, a minha irmã só assistiu a duas reuniões e
eu acabei ficando”. Hoje, ela coordena a Junta dos Comedores
Compulsivos Anônimos. O CCA surgiu em 68 e hoje conta com 90
grupos espalhados pelo país. O molde é o mesmo dos 12 passos
de outros grupos anônimos como os Alcoólicos Anônimos.
“Costumo dizer que sou alcoólatra seca”. Depois que
aprendeu a lidar com a compulsão, I.T.L.A. perdeu 20 quilos. O
CCA oferece uma espécie de apoio emocional. “Fazemos a
chamada terapia do espelho. Eu conto a minha história e você
se identifica com ela. Fica mais fácil se recuperar quando o
problema não é só seu. Você não se sente só”, completou.
Quem quiser saber mais sobre o grupo pode encontrar informações
no site da Junta dos Comedores Compulsivos Anônimos
Como evitar o ‘primeiro pedaço’?
Quem come demais deve prestar atenção aos horários e importância
das refeições. Num levantamento com os chamados comedores
noturnos, Halpern descobriu que 90% deles são do sexo
masculino. São pessoas, em geral, que não se alimentam bem no
café da manhã e comem mal no almoço e chegam famintos em casa
no final do dia. “Vi casos de pessoas que atacavam a geladeira
de madrugada e não se lembravam de nada no dia seguinte”,
contou o médico. I.T.L.A aproveitou para dar a receita de
pequenos truques para escapar da vontade – quase incontrolável
– de atacar a geladeira. “O primeiro pedaço deve ser
evitado. Comeu o primeiro pedaço acabou”. Segundo ela, quando
a crise compulsica desponta, o jeito é ligar para as amigas,
ler um livro ou sair para caminhar. “Uma vez, a vontade foi tão
forte que tive que me jogar de roupa e tudo debaixo do chuveiro
gelado”. Felizmente, é uma fase que passa. “É como quem
tem ataque epilético. A pessoa sabe que a crise está se
aproximando. Então você se antecipa e corre dela. Hoje tenho
um sinal de trânsito para o que posso ou não comer –
vermelho, amarelo e verde”. Antigamente, I.T.L.A costumava
devorar um pacote de biscoito sozinha e escondido. Hoje, não
come mais biscoitos. O endocrinologista tem uma postura menos
radical. “Sempre defendi que quem quer manter um bom peso
precisa comer de tudo. Quem é louco por doces tem que aprender
a comer doces moderadamente”, disse Halpern. Para o
endocrinologista, o paciente – independente do uso de
medicamentos – deve passar por uma reeducação alimentar.Compare preços de:
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